terça-feira, janeiro 02, 2007

:: Avaliação Final 1 - Memorial Adriana Arruda Moreira


Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UFRGS
Licenciatura Em Pedagogia a Distância
PEAD
Memorial Descritivo

Adriana Arruda Moreira



A tarefa que nos foi dada para o processo avaliativo deste primeiro eixo articulador e interdisciplina requer um levantamento muito mais que acadêmico, requer um pensar sobre uma caminhada. Uma caminhada de vida. Como cheguei até aqui e como estou me vendo hoje, depois de um semestre inteiro convivendo com temáticas, reflexões, outras pessoas no meu cotidiano e ainda e inclusão de uma tecnologia totalmente fora da usual. Realmente um semestre cheio de emoções novas.
Acho que este momento, no qual estamos encerrando atividades escolares, acadêmicas, e mesmo este ar de fim de ano nos deixa um pouco comprometidos emocionalmente. Toda e qualquer reflexão sofre esta influencia. Não se pode negar. Acredito que mudei, ainda bem, pois não posso entender a mim mesma sem mudanças cotidianas, digo em relação a tudo que vivencio. É comum vermos-nos outros mudanças, dificilmente às percebemos em nós mesmos. Mas estas tais mudanças estão acontecendo comigo. Confesso que num primeiro momento houve uma certa vontade de repelir tais modificações, principalmente a nível profissional. Minhas certezas de 20 anos de trabalho estavam sendo postas em "xeque". Como depois de tanto tempo, e sem ninguém forçar nada, diga-se de passagem, eu começo a perceber ações e práticas minhas tão diferentes, ou mesmo ações e práticas que agora passam a ser questionadas, outras melhoradas e outras definitivamente, necessariamente, devem deixar de ser praticadas. Incrível a sutileza com que as coisas mudam. Não houve grandes traumas, até porque acredito que tenho uma capacidade de ir absorvendo e pensando e adaptando no meu cotidiano o que aprendo.
Costumo definir minhas ações usando uma expressão: SOU PLURAL. Acredito que esta expressão revela o quanto dinâmica são minhas atividades, meus compromissos familiares e principalmente minha pessoa. Dinamismo, tarefas mil, muitas de nós tem e hoje em dia é o mais comum, não é um "privilégio", é um fato. Mas tento ao longo das minhas múltiplas tarefas tornar significativo cada tarefa, na hora da parada, do momento de reorganizar o dia, de preparar para o dia seguinte é este momento. E ai... sinto , percebo, e reflito sobre os diferentes significados da minha caminhada do dia. Falei inicialmente que hoje estaria nostálgica... a tarefa com certeza nos faz ficar mais.
O meu trabalho diário com Classes de Educação Terapêutica, com alunos Autistas, reflete mudanças claras. Passa de apenas um trabalho especializado focado numa dificuldade, já o fazia com um olhar diferenciado, tentava eu focar meu trabalho no potencial individual que meu aluno trás, mas após as leituras, os aprofundamentos e temáticas trabalhadas no curso, percebi que tem que ser mais que isso. Há uma necessidade, não de discurso, mas de real inserção deste indivíduo no contexto do restante da escola e na sociedade. As atividades propostas de integração social, comunicação, têm que ultrapassar o individual, apesar de ser o passo inicial (Professora Susana é ?culpada?). Há outras perspectivas dentro deste trabalho socializador, há um resgate individual e coletivo, um reflexo das ações e práticas de sala de aula, de família, de escola, de sociedade neste trabalho. Até onde se conseguiu chegar? O importante é o caminhar...
A prática esta repleta de discussões internas, de grupo. Esta repleta de pensamentos, pensadores, idealistas, realistas... Ela passa as paredes de sala de aula, inspirada num ideal, numa crença, e literalmente refletida numa prática, onde ainda não se pode, e talvez nunca se chegue ao ideal, mas com certeza numa busca.
É comum durante as avaliações finais, nos relatórios de final de ano, nos pareceres descritivos o apontamento de progressos e o que necessita ser revisto ou trabalhado num próximo ano. Quer mais um exemplo de mudanças significativas? Acrescente ai um pensar sobre a prática, sobre a necessidade de amarrar as proposta num contexto de projeto, onde as ações e práticas são construídas no coletivo. De propor um olhar individual e transformar este numa construção coletiva. Perceber que a proposta vai ajustando-se e tornando mais viável as possibilidades, as articulações, revelando quem sabe muito mais. E até mesmo o pré-conceito de trabalho em projetos está se modificando dentro de mim. Estou na busca.
Vou confessar outro aspecto relevante das mudanças ocorridas dentro do meu trabalho, estou mais questionadora quanto às regras estabelecidas na escola. As tais regras subjetivadas... pois é, elas existem mesmo, e quantas e quantas vezes negamos. Acomodamos-nos nesta proteção, nesta visão estereotipada do fazer pedagógico, saímos do ideal para cairmos na acomodação e para garantias de ?direitos? adquiridos indevidamente. Tomamos muitas vezes a escola para nós, como os donos do saber e da prática. Hoje estou mais crítica a isto tudo. Não quero ?envelhecer? meu trabalho, quero hoje qualifica-lo, acho que este é meu direito adquirido e escolhido. E esta nova visão questionadora com certeza vem de encontro às discussões realizadas. Hoje não consigo mais aceitar certas regras onde a visão unilateral acontece, talvez ainda não tenha aprendido como tornar este novo pensamento numa ação mais efetiva, mas os questionamentos e as mudanças internas, a percepção desta realidade esta aqui. Estou ?diferente?, porque antes eu apenas era diferente das pessoas, assim como cada um de nós.
Acredito que poderia definir em outra palavra esta passagem: PASSEIO. Estou, na verdade, realizando um passeio, mas um passeio de construções como foi toda a minha vida. Mas este passeio de construção, hoje, está dentro de significados muito claros, onde a cada volta, em cada chegada, retomo o itinerário, faço as alterações no mapa, aponto pontos que valem a pena serem revisitados e traço novos caminhos... (olha as atividades da Susana ai de novo!!!) novas possibilidades.
Um dos questionamentos que nos foi encaminhado seria o pensar sobre a aprendizagem em geral. Acho que neste momento penso que aprendizagem e vida estão unidas. Só posso pensar em aprendizagem vivenciada. Nos muitos momentos em que se aprende se vive, e nesta concepção permanece conosco, se transforma, se associa... Acabo por definir aprendizagem sob esta perspectiva.
Quando as questões referentes à educação me aparecem, ainda tenho muito que pensar para poder dar meu parecer, ainda é a definição mais difícil de fazer, acredito que nem é definição propriamente dita, mas o todo que representa esta palavra no contexto de vida, de sociedade. Não acredito que possa definir, mas acredito refletir sobre isto que representa. Cada vez mais a nossa sociedade esta perdendo muito quando não olha, não participa, não contextualiza a sua vida diária com o significado de educação. Mais e mais é comum a tentativa de ver de forma isolada, como uma parte. Educação passa por todas as esferas da vida humana, das relações, do trabalho, enfim... Mais e mais os governos culpam a "educação" ou a falta dela, programas são "inventados", totalmente descontextualizados, e recai sobre a educação as culpas de uma sociedade sem qualificação, não crítica, não especializada, etc.... Brincadeira! Aqui torno público meu descontentamento, e ainda registrado. Acredito muito que pensar em Educação é pensar em tudo que está em nossa volta, no nosso cotidiano, na nossa ação. Educação está refletida, contida e é parte integrante do ser humano.
É costume de uma família de professores como a minha trazer para o almoço, a janta, os momentos de descontração um pouco das práticas e discussões do trabalho, sobre educação. E com certeza este último semestre apimentou mais as discussões.
Quero também deixar registrado que a forma da estruturação do curso, que também está adaptando-se as nossas realidades ajuda muito na complementação de idéias. Foi comum este semestre a troca dos assuntos entre as interdisciplinas, auxiliando na construção de um pensamento mais coerentes e significativos. A relação estabelecida com os professores foi muito legal, interesses por formação de grupos, de discussões atuais, de reflexões da prática, resgate nos momentos decisivos onde muitos pareciam não conseguir continuar, estímulos, confiança...
Quero deixar aqui meu agradecimento pela possibilidade de estar entre os alunos da UFRGS, de fazer parte deste grupo, deste curso, é enriquecedor. Neste último mês, por situações pessoais, foi muito difícil acompanhar o pique e as atividades como desejava, mas com certeza é este tipo de aprendizagem que quero construir, que busco. Só tenho que agradecer e dizer que este lugar conquistado é hoje indiscutivelmente parte de mim. Aos meus colegas também agradeço, pelos momentos de troca, de aprendizagem. Conheci pessoas que já fazem parte integrante de minha história pessoal.
Li um pensamento que de certa forma reflete um pouco do que tem significado pra mim esta trajetória como aluna da UFRGS neste semestre:

"Se existir algo pelo qual vale a pena
se expor, exponha-se.
Se você se expuser demais, precisa
acreditar que sobreviverá.
Enquanto não tiver coragem de se expor,
você não confiará em si,
Quando encontrar uma forma de se expor
sem medo de sofrer invasão, compreenderá
o significado de confiar."
(Autor desconhecido)

E eu estou "aprendendo" a confiar que existe em cada um de nós a vontade de dar o melhor, e parta isso é necessário CONFIAR, que se é IMPORTANTE, que se PODE, e que estamos ai para APRENDER e ENSINAR. Talvez depois de toda a reflexão feita o termo ENSINAR fique um pouco imperativo e autoritário, culpa total dos professores deste eixo, mudaria, mesmo que no final do inventário para TROCAR!


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