terça-feira, janeiro 02, 2007

:: Memorial Gisele Bervig



Introdução
Este memorial tem por objetivo fazer um breve relato de, eu como aluna do Pead/Ufrgs. Breve pois seria impossível conseguir relatar todas as emoções, experiências vividas neste espaço de tempo onde tornei-me acadêmica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Neste documento ficará registrado um momento muito importante em minha vida, por isso o guardarei com muito cuidado e carinho, para diante de qualquer dificuldade, buscá-lo como forma de motivação.

A inscrição

Como quase todas as minhas colegas, tomei conhecimento do programa, em um curto memorando interno da Smec/São Leopoldo, informando prazo de inscrição para um curso à distância. Não sabia ao certo o que era, a única coisa que me incentivava e tranqüilizava se tratar de um programa sério, era o vínculo à Ufrgs. Então um pouco receosa, resolvi inscrever-me. Já havia pesquisado sobre cursos à distância, mas não vislumbrava ser um grande negócio, tinha medo de investir tempo e dinheiro em algo que não me desse retorno.
Quanto á minha formação, depois que concluí o Magistério (nível médio) logo comecei a trabalhar e ingressei na faculdade para fazer Psicologia, com o tempo o curso foi se distanciado de meus objetivos, ao mesmo tempo em que a carreira de professora, mesmo com todas as dificuldades, me satisfazia muito. Lecionar para mim tornou-se uma espécie de desafio/prazer diário, e já não me via mais fazendo outra coisa. Em meio a isto, casei-me e engravidei de minha filha, agora com 8 anos, foi mais um incentivo para trancar o curso, por um tempo. Tive certeza que a Psicologia já tinha me dado o que eu queria. As dificuldades financeiras contribuíram muito para não retornar à faculdade, queria voltar e cursar algo mais relacionado à educação, que fosse mais efetivo em minha prática. Pedagogia era uma das possibilidades que mais me agradava. O tempo foi passando, a carga horária de trabalho aumentando, de 40 horas passei a trabalhar 60 horas. Aprendi muito neste tempo, não sabia que um dia podia render tanto. Mais uma vez a faculdade esperando. Sinceramente 2006 era meu prazo final, já havia comentado na escola que não seria mais coordenadora da Eja (Educação de Jovens e Adultos) em minha escola à noite, que em 2007 reservaria as noites para estudar. Foi então que a grande oportunidade bateu em minha porta, uma nova modalidade de formação, um projeto novo, moderno e por trás uma instituição muito tradicional.

O ingresso


Como sou muito ansiosa, após a inscrição não pensava em outra coisa, a não ser a prova do Vestibular. Este chegou em um dos dias mais frios do ano, não congelar a caminho foi o primeiro desafio. Meu marido/incentivador ficou me esperando durante a prova, como todos, dizia que tinha grandes chances. Pois é, até não tinha achado difícil, realmente a universidade lançou um outro olhar sobre nós, na prova já podíamos ver o quanto valorizavam nossa prática profissional. Acredito que fiz uma boa redação, no entanto as exatas me deixavam um pouco insegura. Passei, consegui ser a segunda a entrar no programa, além de feliz, senti-me motivada e disposta a encarar os desafios que começariam.


O início do curso


Acho que só agora, tenho realmente noção do que seria o Pead. Tudo parecia muito confuso, as pessoas perguntavam como seriam as aulas, os encontros, as avaliações. E eu respondia que também não sabia, mas que confiava ser um trabalho bem organizado e que aos poucos começaria a ter respostas. Naquele primeiro encontro, só não fiquei de cabelo em pé, mas minha cabeça e estômago tiveram reflexos bem rápidos dos dias ansiosos que estava vivendo. Nada melhor do que o tempo, para nos acalmar e nos dar repostas.
No início tinha até vergonha de dizer para as pessoas que estava fazendo faculdade à distância, parecia que logo associariam a ?curso por correspondência?, última oportunidade para quem não conseguiu se formar. Logo esta idéia saiu da minha cabeça, pois vi que se tratava de algo muito inovador e de muita qualidade. Então orgulhava-me em dizer o curso que estava fazendo. Após a emoção inicial, precisei me organizar e me instrumentalizar. Precisei jogar com alguns horários, para ter um pouco mais de tempo, das quatro noites cheias que tinha na escola, passei a ter só duas. É óbvio que com o trabalho das outras duas acumulado. Ainda não sei muito bem dividir tarefas, daí entrou escola, curso, rotinas da casa, aquela planilha inicial que construímos até não foi usada, mas me fez parar e refletir, tive certeza que precisa de planejamento, sempre com alguma flexibilidade consegui dar os primeiros passos. A internet precisou passar de discada para turbo. Como moro em Canoas, o pólo não pode ser minha única alternativa, tive de ajustar meu orçamento para dar conta desta despesa, como a causa é justíssima...
Queria que começasse logo, parecia meus alunos que chegam com aqueles cadernos novinhos, branquinhos, lápis apontados e querem,vejam só, copiar do quadro, algo que vivem reclamando, querem ver aquelas primeiras folhas repletas, letra bem bonita. A medida que as interdisciplinas eram sendo apresentadas ficava apreensiva em realizar tudo direitinho, claro que o desafio do computador me acompanhava. Até então, realizava coisas simples para casa e a escola em editor de texto, visitava alguns sites. Wikis e blogs não me eram familiares. Aquela pastinha (webfólio) até parecia de verdade, tudo isso para nos auxiliar entender a sistemática que encontraríamos pela frente. Houve muita sensibilidade por parte dos professores Leonardo e Cíntia, responsáveis pela Interdisciplina Seminário Integrador, tinha momentos que expressavam no olhar que se não fôssemos tão crescidinhas nos dariam colo. Repetiam sem parar que era para termos calma, que a tecnologia seria domesticada, que teríamos parceiros, um bom tempo de adaptação, mesmo assim havia colegas que não se conformavam, queriam algo mais tradicional e calmo. Ainda bem que não foram ouvidas, foi bom para nós. Sabiam nossos professores, que desta forma cresceríamos. Outro ponto que quero sublinhar sobre nossos professores, tutores e organizadores em geral do Pead era a visível vontade que desse certo, demonstravam o tempo todo que este projeto era como um filho para eles. As interdisciplinas chegando, os conceitos, as atividades, um período bem difícil, mas gratificante.

As aprendizagens


O Conto da Ilha Desconhecida foi brilhantemente escolhido para ser uma de nossas primeiras leituras, aquele texto, aquelas reflexões mostrando-me realmente a que veio o Pead, trazer construção, baseado em muitos de nossos sonhos, que através de nossa prática obteríamos muitas respostas. E que um sonho uma vez sonhado, não pode ser abandonado.
As primeiras tarefas, não pareciam nada de muito difícil, tirando o monstro da máquina, pensar como e por que somos professoras foi até uma terapia, fazia tempo que não olhava tanto para dentro de mim mesma.
Cada interdisciplina,(suas tutoras e professores) ensinou-me algo diferente, com o Seminário Integrador foi a socialização, o momento de interagir com colegas até então distantes, além de ser um elo importante nas demais interdisciplinas. Com a interdisciplina Escola, Projeto Pedagógico e Currículo, os conceitos pedagógicos foram tomando formas mais reais, partiu-se sempre de nossas experiências, pudemos falar abertamente de nosso cotidiano escolar, os conceitos foram discutidos amplamente, os fóruns começaram a se transformar em espaços de trocas, confrontos de idéias, tudo muito produtivo.Um currículo vivo, não textos isolados, teóricos, mas atividades práticas para uma educação que quer mudanças imediatas e não tem tempo para esperar. Só senti falta de comentários em nossas produções, meu webfólio com todas as atividades postadas nunca recebeu um comentário. Penso ser importante, pois no início verificava várias vezes se tinha sido corrigido, isso foi um pouco desmotivante, confesso. Com a Educação, Cultura e Sociedade veio a magia do diário virtual, o blog tornou-se algo muito prático e funcional para postarmos e recebermos comentários. Mesmo não sendo as questões sociológicas as minhas preferidas, sei da importância de suas implicações no meu contexto de educadora, sem contar que a professora Suzana é multifuncional e multimídia. A disciplina foi ficando com outra cara, adorei todos os comentários postados seja por ela, minhas colegas ou tutoras, foi extremante gratificante recebê-las lá naquele cantinho carinhosamente criado por mim.
Quando já senti-me mais tranqüila e com um pouquinho mais de habilidade procurei sempre deixar recados por quem lá passasse, ficou tendo mais a minha cara. Também acho importantes as passadinhas que dei pelos blogs de minhas colegas, muitas vezes com dúvidas foram eles que me socorreram, encontrei cada coisa linda, cada texto bem elaborado e não poupei elogios. Na interdisciplina Educação e Tecnologias da Educação, penso que foi muito desafiador termos estas atividades já no primeiro contato com o computador, pois mesmo ainda não estando acostumada com o trabalho no computador, já tínhamos que pensar em formas pedagógicas para ele, senti falta de um apouco mais de tempo para exercitar o que aprendi, fazendo as tarefas de forma mais criativa, sei que poderia ter rendido mais. No entanto, a cada coisa que aprendia, que superava ficava extremamente contente e encantada com as possibilidades. Algumas dicas importantes nos textos sobre apresentação de imagens, organização de idéias, dinâmica de trabalhos que tirei das leituras sugeridas também já as utilizei em minha sala de aula, não necessariamente ainda com o computador.

Conclusão

Com certeza o ano de 2006, com a minha entrada no Pead, foi um grande passo motivador em minha trajetória como professora, sentir-me aluna (formalmente falando) foi renovador para a minha prática. Tenho certeza que realizei um trabalho melhor que os outros anos, impulsionado pela minha posição de aprendente, quando o desânimo queria aparecer as leituras, os fóruns, as atividades me faziam refletir que não podia, que meu trabalho como educadora é fundamental. Pensei e analisei muito as formas como planejo, a participação dos meus alunos, a formação cidadã de cada um deles, minha influência em cada uma daquelas cabecinhas. Estou mais crítica e reflexiva, embora com mais dúvidas e questionamentos que espero ir dando conta de cada um deles, junto com minhas parceiras, um pouquinho mais neste próximo semestre. Espero que o Pead seja possibilitador de muitas transformações nesta educação que estamos vivenciando e sabemos que necessita de ajustes, de rupturas, de avanços.


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